sábado, 11 de agosto de 2018

Palanque dividido com o PT, no Ceará, traz dificuldade ao candidato Ciro Gomes

Sem a estrutura esperada para sua campanha - inicialmente ele admitia até ser o substituto de Lula -, Ciro Gomes (PDT), ao declarar publicamente estar disputando a Presidência da República pela última vez neste ano (ele já foi candidato duas outras vezes), vai despender todos os seus esforços para ter, no Ceará, a mais expressiva votação, que lhe permita, com o irmão Cid, permanecer, pelo menos até mais um certo tempo, como liderança política no Estado. Não se vislumbra facilidade, porém, para essa sua empreitada conseguir tal objetivo.
A aliança com o PT no Ceará, para reeleger o governador petista que ajudou a eleger em 2014, Camilo Santana, é o obstáculo principal, presente e futuro. Por razões pessoais, talvez não. Mas, com certeza, pelo explícito conflito partidário. As relações entre os petistas e os irmãos Ciro e Cid Gomes, hoje, são bem diferentes daquelas do pleito de 2014, quando os dois se entregaram de corpo e alma ao PT, tanto para levarem Camilo à chefia do Executivo estadual, quanto para defender o nome da ex-presidente Dilma, que, com Lula, este no auge de sua popularidade, sequer vieram ao Ceará ajudar Camilo, alegando a lealdade do senador Eunício, o adversário do hoje governador à época.
O governador, por certo, ganhará um novo mandato. É muito fraca, presentemente, a oposição à sua reeleição. Mas, vitorioso, qualquer que tenha sido o empenho dos dois irmãos, não serão eles apontados como a razão dos louros, como os foram, no passado recente.
A votação recebida por Ciro, no Estado, muito mais que a de Cid para o Senado, poderá contrapor-se aos argumentos de que teria sido o PT do Lula, o agora principal eleitor do Camilo, posto a expectativa de o candidato substituto do ex-presidente, na disputa presidencial, também vir a ser bem votado no Ceará, como foi nas duas vezes em que Ciro e Lula disputaram o cargo de presidente.
VenceEm 1998, o cearense foi candidato pela primeira vez à chefia da Nação. Ele venceu Lula no Ceará com uma diferença de 37.112 votos, e mais de 100 mil sufrágios contra Fernando Henrique, postulante ao seu segundo mandato. Em 2002, Ciro novamente vence Lula no Ceará, com uma diferença maior, 176.284. O terceiro candidato era José Serra, cuja votação foi realmente inexpressiva, levando-se em consideração a força do seu partido naquele momento no Estado. Serra conseguiu apenas 293.425. Lula, naquele ano, conquistou o mandato de presidente.
O terceiro nome da disputa de 2018, no Ceará, vai ser o deputado Jair Bolsonaro. Pode surpreender ou não, apesar da inexpressiva representação partidária no Estado. É, contudo, uma pedra no caminho do ex-governador cearense para alcançar o seu objetivo local. Cid Gomes, o também ex-governador, é o reforço com que conta Ciro.
Cid vai pedir o voto para ele, Camilo e o irmão. No segundo momento, também com veemência, ele defenderá a eleição ou reeleição dos deputados de seu grupo político. Afinal, para a manutenção do seu status de líder político, não basta apenas eleger-se, continuar tendo Camilo como governador e não contar, como hoje conta, com o maior número de parlamentares ao seu lado.
Agora, para que tudo transcorra de modo a satisfazer o projeto em execução, necessário se faz estabelecer parâmetros de convivência, para evitarem arranhões como os que ocorreram na convenção dos petistas e pedetistas, no último domingo. A expectativa de hoje é de se repetirem, em vários municípios, onde os prefeitos tiverem controle dos espaços, quando da realização de concentrações com a presença do governador e de Cid Gomes.
Ciro tem razões para creditar ao PT o insucesso das negociações para ter o PSB como o seu principal aliado. A maioria do partido não queria ir para o lado de Lula, tanto que decidiu ficar sem aliança, depois de todas as investidas do PT para não ser fechado o acordo com o cearense. Ele vai reagir com a arma que tem, o discurso, contra os petistas no plano nacional e local.
Além da questão principal, a disputa dos votos para presidente, tem a eleição do outro senador, Eunício Oliveira, defendida por Camilo. Ela não faz parte do projeto dos irmãos. O senador ainda é adversário de Cid. Ciro o tem como inimigo. Não é, essa, uma situação irreconciliável. Na política não existe o impossível. Mas, pelas consequências geradas pelo rompimento deles em 2014, ainda tem muito a ser purgado entre os três, e o espaço de tempo até o dia da votação, 7 de outubro, é muito exíguo para a expiação de todos os pecados, abrindo espaço para um consequente e necessário perdão, recíproco, para que voltem, a curto prazo, ter uma convivência menos beligerante.
*** Informações com Diário do Nordeste - Editor Político: Edison Silva
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