quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

“Se fosse presidente, demitiria esse ministro hoje”, diz Camilo diante de pressão por reforma da previdência

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), foi enfático contra a pressão do Governo Temer para aprovar a reforma da Previdência Social. Em entrevista na rádio Tribuna BandNews FM, nesta quarta-feira (27), Camilo anunciou carta de governadores do Nordeste contra o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB), e disse: “Se eu fosse presidente, demitiria esse ministro hoje mesmo”.
Na terça-feira (26), Marun afirmou que governadores interessados em receber recursos federais ou financiamentos junto a bancos públicos terão de ajudar o Governo Temer a aprovar a reforma na Previdência.
“Isso é uma vergonha. Resumindo: ‘só libero teus empréstimos se orientar seus deputados a votarem a favor da previdência’. Já mandei recado, dizendo que não conte com governador Camilo”, afirmou o chefe do Executivo.
A “reciprocidade” pedida pelo ministro de Temer desagradou governadores. Segundo Camilo, os líderes dos estados estão assinando uma carta ao presidente Michel Temer “dizendo que é inadmissível essa forma de fazer política no Brasil”.
Na carta, os governadores chamam o ato de “arbitrário” e “possível somente na vigência de ditaduras cruéis”. “Não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”, diz o texto.
Camilo lembrou ainda a pressão afeta especialmente governadores cujos estados passam por crise financeira e dependem de ajuda, como o Rio Grande do Norte.
“Aposentadoria rural tem um fator muito mais social que previdenciário”
O governador disse ser contra a reforma da Previdência na forma proposta pelo atual governo. “A reforma não pode prejudicar as pessoas mais pobres. Quando você fala em taxar contribuição de aposentado rural, é um crime. Vivemos em um país que tem diferenças regionais. Uma pessoa que vive no Nordeste, vive na seca, não pode ser tratado como quem mora no Paraná”, afirmou Camilo.
Para ele, o principal problema é a falta de diálogo do Governo. “É importante discutir uma reforma da previdência no Brasil, ter um diálogo sincero. A expectativa de vida aumentou, há uma fase transitória, mas não há diálogo”, pontuou.
Confira a carta dos governadores na íntegra: - “Os governadores do Nordeste vem manifestar profunda estranheza com declarações atribuídas ao Sr. Carlos Marun, ministro de articulação política. Segundo ele, a prática de atos jurídicos por parte da União seria condicionada a posições políticas dos governadores. Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade, e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme. Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis. Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas. Governadores do Nordeste”.
*** Informações com Tribuna do Ceará
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