domingo, 29 de outubro de 2017

Ibama tinha informações de que poderia ser atacado no Amazonas

O serviço de inteligência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Amazonas, já possuía a informação de que sua base no município de Humaitá (distante 660 km de Manaus) poderia ser alvo de ataques como represália à sua atuação na região sul do estado.
A ameaça se concretizou no fim da tarde dessa sexta-feira (27), quando um bando formado por ao menos 500 pessoas ateou fogo no prédio onde ficava o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICmbio). O atentado foi uma retaliação à operação de combate ao garimpo ilegal no Rio Madeira, realizada desde a última terça (24) e que resultou na destruição de balsas e dragas.
O superintendente do Ibama no Amazonas, José Leland, classificou o ataque como um “ato terrorista” e um atentado ao Estado brasileiro. Além dos dois órgãos ambientais, o grupo ainda tinha como alvo a agência fluvial da Marinha, que deu apoio à operação de combate ao garimpo.
“Há indícios de que tudo isso foi planejado. Estamos agora trabalhando no rescaldo. O prejuízo foi muito grande. Eles desafiaram o Estado brasileiro. Os caras implantaram uma espécie de Estado Islâmico em Humaitá. Fizeram um verdadeiro ato de terrorismo”, afirma José Leland.
Somente a destruição dos três veículos causou prejuízo superior a 300.000 reais. Os carros tinham sido entregues à unidade de Humaitá na semana passada. Com a queima do prédio, houve a perda de equipamentos e de todos os documentos com processos de crimes ambientais. Segundo Leland, o dano seria pior caso o instituto não tivesse seu sistema digital de processos.
As investigações serão realizadas pela Polícia Federal e o próprio Ibama. O objetivo é identificar os líderes do bando que organizou o ataque. De acordo com José Leland, os atentados foram promovidos por milícias formadas por garimpeiros e madeireiros.
Os servidores do Ibama e do ICMBio buscaram refúgio no quartel do Exército. Neste sábado (28), eles foram resgatados de helicóptero com escolta armada do Ibama e levados para Porto Velho (RO). Outros dois funcionários que são da cidade continuam na base militar.
Os próprios militares também estavam na mira do bando. Eles tentaram atacar a Agência Fluvial da Marinha em Humaitá. Foi lá onde, primeiramente, buscaram ajuda os fiscais para não serem mortos. O prédio só não foi destruído porque estava protegido por homens da Força Nacional de Segurança.
De acordo com o superintendente do Ibama, a atividade do garimpo acontecia de forma ilegal, sem as devidas autorizações. “Os garimpeiros não tinham licença, estavam todos ilegais numa área que estava embargada, garimpando de frente para a cidade, o que é proibido. Eles estavam desafiando as instituições ambientais”, diz.
José Leland afirma que os trabalhos do Ibama não serão interrompidos. Até a recuperação do prédio incendiado, o escritório funcionará de forma provisória no quartel do Exército como medida de segurança.
“Nós não podemos parar as nossas ações. O Estado brasileiro não vai se curvar diante de meia dúzia de bandidos.”
Na divisa com Rondônia, Humaitá é uma das fronteiras de expansão agrícola e faz parte do arco do desmatamento. A região sul do Amazonas é palco constante de conflitos por questões fundiárias, retirada de madeira e extração clandestina de ouro.
*** Informações com Revista Veja
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