Veja agora: Sem teto, Ministério da Economia de Guedes derrete

Em julho do ano passado, Mansueto de Almeida, o austero e respeitado Secretário do Tesouro Nacional, na função desde o governo Michel Temer, quando o Ministério da Fazenda era comandado por Henrique Meirelles, pediu demissão, que seria o prenúncio de uma debandada em massa da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Cansado de reagir às pressões por mais gastos de Jair Bolsonaro e seus ministros aliados, Mansueto preferiu ser bem pago no BTG-Pactual. Mas atrás de si a porteira foi aberta. Em agosto houve uma debandada, com as saídas de Salim Mattar da Secretaria de Desestatização e de Paulo Uebel, da Desburocratização. No mesmo agosto, Rubem Novaes pediu demissão da presidência do Banco do Brasil.

Peladeiro, onde atuava como atacante rompedor, Paulo Guedes, que já tinha perdido boa parte da espinha dorsal do “dream team” original – nos primeiros 12 meses Joaquim Levy foi demitido do BNDES e Marcos Cintra Cavalcanti da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e no começo deste ano perdeu Waldery Rodrigues, demitido em abril por Bolsonaro da função de Secretário Especial de Fazenda – ao ceder às pressões do presidente para furar o teto de gastos para irrigar sua campanha à reeleição em 2022, agora coleciona um time de 11 ex-colaboradores. O time ganhou reforço com as renúncias conjuntas do Secretário Especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal (que substituíra a Mansueto e incorporou as funções de Waldery) e do secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, gesto acompanhado pelos respectivos secretários-adjuntos, anunciadas no final da tarde desta 5ª feira, 21 de outubro. Em audiência com Paulo Guedes às 10 da manhã, Funchal apresentou a renúncia em caráter irrevogável e anunciou a saída dos três colaboradores.

Embora o Ministério tenha dito em nota oficial que a saída foi por “motivos de ordem pessoal”, a causa foi a mesma de sempre: os demitidos cansaram de ver a falta de compromisso do governo tanto com a austeridade fiscal quanto com o avanço de uma agenda de privatizações e redução do papel do Estado na Economia. Desde que Bolsonaro se rendeu ao Centrão, ao entregar a Casa Civil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em fins de julho, aumentaram as pressões por medidas populistas para tentar recuperar a popularidade de Bolsonaro. Intervencionismos no Banco do Brasil e na Petrobras levaram à troca de presidentes (dois no BB e um na petrolífera, desde abril comandada pelo general Joaquim Silva e Luna, sem evitar alta dos combustíveis).

Em agosto, para acomodar Onyx Lorenzoni, que deixara a Casa Civil, foi recriado o Ministério do Trabalho e Previdência, enfraquecendo o superministério de Paulo Guedes, que originalmente fundira cinco ministérios (Fazenda, Planejamento, Indústria, Comércio, Serviços e Comércio Exterior e ainda o Trabalho e a Previdência). Agora, a reformulação do Auxílio Brasil, fundido com o Bolsa Família turbinado para atrair eleitores para Bolsonaro foi a gota d´água. A resistência da equipe às providências de aumento de gastos acima do teto previsto no Orçamento Geral da União para 2022, diante do adiamento de um dia na aprovação do Relatório da CPI da Covid, levou o governo a também retardar a divulgação das novas bases do Auxílio Brasil. Mas a preocupação não era ajustar os gastos, mas apenas fazer a coincidência com a divulgação de benesses do governo, para tentar contrabalançar as decisões altamente negativas do Relatório da CPI nas manchetes do noticiário.

A nova debandada dos guardiões do cofre na equipe econômica ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados, com o apoio do governo de Jair Bolsonaro manobrou para mudar a regra fiscal. O relator da PEC dos Precatórios, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu em seu parecer mudança no teto para abrir um espaço de R$ 83 bilhões no OGU de 2022. Por um artifício, R$ 39 bilhões viriam da mudança no cálculo do teto de gastos (em vez de ajuste de junho a junho, como era a regra anterior, aproveitando que a inflação cresceu mais este ano, será considerado o IPCA acumulado em 12 meses até dezembro; R$ 44 bilhões viriam do parcelamento de dívidas judiciais (precatórios).

Bruno Funchal resistia há mais de um mês às duas “pedaladas fiscais”, afirmando que a solução para o impasse de recursos para atender aos precatórios e ao Auxílio Brasil não deveria fragilizar o teto de gastos, para ele uma referência de “âncora fiscal”. Esteves Colnago, que foi o último ministro do Planejamento de Temer e está na equipe de Guedes desde a transição, pode ir para a vaga de Funchal. Também numa solução interna, Priscila Santana, secretária de assuntos federativos pode assumir a Secretaria do Tesouro.

Uma prova do enfraquecimento do entorno de Paulo Guedes às pressões do Centrão e os apoiadores políticos de Bolsonaro para a aplicação de medidas populistas para tentar bancar sua candidatura – como a transposição do Rio São Francisco, objeto de uma agenda especial de dez dias de visitas a estados do Nordeste, iniciada na segunda feira, nas nascentes do rio, em Minas Gerais – foi a demissão também do secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Coelho, por não concordar com o programa de subsídios ao diesel e ao GLP (gás de cozinha). Mauro Coelho, há um ano e meio na secretaria, vai para a iniciativa privada, após cumprir período de quarentena. Para substitui-lo, o ministro Bento Albuquerque escolheu Rafael Bastos, atual diretor do Departamento de Política de Exploração e Produção de Gás Natural da secretaria.

Sem âncora, dólar dispara e bolsa cai

Repetindo março, quando começou a fritura de Waldery Rodrigues e o enfraquecimento de Paulo Guedes, e o dólar bateu o recorde do ano superando por duas vezes a marca de R% 5,78, o dólar chegou a romper hoje a marca dos R$ 5,67, mas fechou a R$ 5,66, com alta de 1,92%.

Enquanto os juros futuros tinham nova jornada de alta, o mercado de ações voltou a despencar. O Ibovespa fechou o dia em 107.735 pontos, com queda de 2,75%, depois de ter descido a 106.083 pontos por volta das 16:30. Esta semana a queda chega a 6%, no Ibovespa.

Embora o mercado não tema aumento da Selic acima de 1 ponto percentual na reunião do Copom na próxima semana, para 7,25% ao ano e 8,25% ao ano em dezembro, espera-se agora, com o descarrilamento fiscal que o ciclo de aumento dos juros passe dos 9% até o fim do 1º semestre de 2022.

Concorrência expõe falhas dos novos bancos

A maior concorrência no Sistema Financeiro Nacional, com o ingresso de novos players no mercado antes dominado pelos bancões está sendo benéfica para o consumidor, já que os bancos que surgiram de “fintechs” ou totalmente automatizados sem os elevados custos de pessoal e instalações físicas vêm operando com juros nos financiamentos abaixo dos bancões. Mas a trajetória vitoriosa de alguns não exclui as “dores do crescimento”, com as reclamações reguladas dos clientes, consideradas procedentes pelo Banco Central.

O BC divulgou nesta 5ª feira, 21 de outubro, o ranking das reclamações dos clientes no 3º trimestre de 2021 (julho a setembro). A novidade é que o C6Bank automatizado e fortemente capitalizado com recente aporte de UD$ 1,6 bilhão por grupo de 40 investidores que permitiu abrir corretora de valores em Nova Iorque, para ampliar suas operações internacionais, antes sediadas nas Ilhas Cayman, lidera o índice de 149,45 de reclamações (1.651 dividido pelo número de clientes e multiplicado por 1.000).

O C6 Bank foi criado em 2018 por ex-executivos do BTG-Pactual e com o aporte de capital passou a ter mais exposição, com propaganda na TV. Vieram os clientes (que já são 11 milhões) mas, também, os problemas inerentes. Por sinal, o C6 Bank tirou o BTG-Pactual/Banco Pan, braço comercial do banco de investimento, da posição incômoda de líder em reclamações, que liderava desde o ano passado. O BTG-Pactual/Banco Pan, comprado integralmente da Caixa Econômica Federal, segue em 2º no ranking de reclamações (índice de 65,83), ficando o Banco Inter (55,99) em 3º.

Entre os grandes conglomerados, o maior índice de reclamações é do Bradesco (36,03). Pode-se ver que o tamanho da clientela resulta em muitos problemas. Entre os novos bancos, o destaque positivo é do Nubank. Com 22,2 milhões de clientes (ganha do C6 Bank, do BTG-Pactual (15,2 milhões), do Inter (13,3 milhões) e do Votorantim (18,4 milhões), mas tem índice de 0,3 de reclamações.

A diferença nos juros

As taxas de juros deviam ser a maior reclamação dos clientes, e de fato, as informações erradas no crédito pessoal consignado (tem taxas mais baixas para aposentados do INSS, seguida pelas de funcionários públicos e por fim empregados do setor privado que sofrem também desconto em folha, mas estão sob risco de demissão). Em 2º lugar vêm as queixas de que as tarifas dos serviços e taxas de juros não estão em conformidade com o anunciado em prospectos.

A questão é que que quem é correntista antigo de um banco nem percebe se o mesmo está lhe cobrando caro em relação à concorrência, nas tarifas e nas taxas de juros. O site do Banco Central tem atualização constante das diversas taxas de juros. Vejam o caso do crédito pessoal não consignado (o mais caro do mercado). No período de 29 de setembro a 6 de outubro, segundo o BC, o C6 Bank tinha a 16ª maior taxa mensal (2,66% a.m. ou 37,08% ao ano). Da lista dos reclamados, a Caixa Econômica Federal tinha a menor taxa (5ª do total): 1,80% ao mês e 23,90% ao ano. O BB vinha em 25º lugar, com 3,66% a.m. (53,99% a.a.), fruto de sua clientela selecionada de funcionários públicos civis e militares de altos salários.

O Nubank era o 29ª, cobrando 4,16% ao mês (63,09% a.a.), menos que os 4,23% a.m. (64,32% a.a.) do Itaú. O Bradesco vinha em 45º lugar, com juros de 6,13% a.m. (104,16% a.a). Mas a Crefisa, a 20ª em reclamações entre os conglomerados de menor porte tinha a 2ª mais alta taxa de juros do crédito pessoal não consignado: 20,34% a.m. ou 822,10% ao ano. Só perdia para os 22,74% a.m. (pornográficos 1069,05% ao ano) da JBCred Crédito Financiamento e Investimento. Que nada tem a ver com o Jornal do Brasil.

*** Informações com 👉 Jornal do Brasil

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