Mulher é presa após atropelar e matar criança na calçada no interior de São Paulo

Um garoto de 7 anos morreu após ser atropelado na calçada em frente de casa, onde brincava, por volta das 18h30 de domingo (19/09/2021), na cidade de Cosmópolis (135 km de SP). Uma vizinha da criança, de 38 anos, foi presa por dirigir o veículo, sem habilitação. Ela teria bebido, de acordo com a polícia.

A Polícia Civil também investiga o atropelamento e morte de dois homens em uma moto na avenida Cupecê, em Cidade Ademar, zona sul da cidade São Paulo, por volta da 1h20 deste domingo (19). O motorista do carro disse aos policiais que suspeitou de tentativa de roubo e reagiu jogando o carro contra a moto.

O pai de Alex Lacerda Pereira, o montador Jorlam Pereira de Sousa, 36 anos, testemunhou o acidente que matou seu filho, conforme relatou ao Agora, da Folha de S.Paulo.

Segundo o pai, o garoto brincava de carrinho, na calçada em frente de casa, como costumava fazer aos fins de semana. Os dois aguardavam o retorno da mãe, que trabalha vendendo cachorro quente na região.

“Estava tudo tranquilo na rua, até que o carro [guiado pela mulher presa] virou a esquina. Ele [veículo] estava devagar, mas de repente acelerou e foi para cima de meu menino. Ele foi arrastado e ficou prensado na parede”, disse o montador.

A mulher, cuja defesa não havia sido localizada até a publicação desta reportagem, não teria conseguido dar marcha a ré, após atropelar a criança. Por isso, o próprio pai de Alex assumiu o volante e retirou o carro de cima de seu filho.

“Não houve tempo de reação. [O acidente] pegou todo mundo no susto. Quando consegui tirar o carro vi que meu filho já estava morto. Passei a mãos nas costas dele e vi que não batia mais [o coração]. Vi que ele já tinha ido [morrido]”, afirmou o pai da criança, com a voz embargada.

Após o acidente, ele acrescentou que as pessoas da rua ficaram revoltadas, fazendo com que a suspeita fosse retirada do local para não ser agredida.

Socorristas confirmaram oficialmente a morte de Alex ainda no local do acidente. Ele sofreu trauma no crânio, segundo registros policiais.

A Guarda Municipal de Cosmópolis foi acionada até a rua José Zacarias, onde ocorreu o atropelamento, e levou a motorista e o pai de Alex para a delegacia.

Alex Lacerda Pereira, de 7 anos, morreu após ser atropelado em frente de casa, por volta das 18h30 desta domingo (19), em Cosmópolis, no interior paulista. Uma vizinha da criança, de 38 anos, guiava o veículo.

Na delegacia, a motorista afirmou em depoimento que tanto o freio de pé, quando o de mão, teriam falhado na descida, fazendo ela perder o controle do GCM Celta prata que dirigia.

Porém, peritos testaram os freios após o acidente e constataram que os dois funcionavam normalmente, de acordo com registros da delegacia de Cosmópolis.

“Há relatos de que a autora tenha consumido álcool no decorrer do dia [do atropelamento]”, diz trecho de boletim de ocorrência.

Por causa disso, uma amostra de sangue foi recolhida da mulher, para verificar o quando de álcool ela eventualmente consumiu. Nenhum resultado havia sido divulgado até a publicação desta reportagem.

A motorista foi indiciada por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Ela seria submetida a uma audiência de custódia, nesta segunda-feira (20).

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) não havia se posicionado sobre a audiência até o fim da manhã desta segunda-feira.

CRIANÇA SORRIDENTE E BRINCALHONA

O pai de Alex afirmou que o filho é o mais velho de quatro crianças. O garoto deixa um irmão de 6 anos, além de duas irmãs, de 2 e de 1 ano.

“Ele sempre gostou de brincar de carrinho, sempre levava dois e até três na mão. Eu já estava pensando em dar de presente para ele, no próximo ano, um carrinho movido a combustão, de tanto que ele gostava”, afirmou o montador.

De origem humilde, vindo do Tocantins, Pereira mora em São Paulo desde 2008. Ele acrescentou que Alex sentiu na pele alguns momentos de aperto, mas sempre mantendo o sorriso no rosto. “Teve uma época em que a gente só comia arroz e feijão. Ele nunca reclamou e estava sempre sorrindo e feliz.”

Apesar das dificuldades, o montador conseguiu se formar em um curso de bacharelado em química, no ano passado, em Presidente Prudente (558 km de SP). Com o diploma em mãos, ele pretende voltar para o Tocantins, até o fim de 2022. “O Alex estava muito animado para se mudar. Ele falava bastante disso”, afirmou o pai do menino. A família acompanhou o químico recém-formado até Prudente, retornando com ele para Cosmópolis no ano passado.

Alex estava aprendendo a ler e escrever, deixando o pai orgulhoso da evolução do garoto. “As últimas palavras que ele escreveu foram boca e bota. Ele estava aprendendo rápido a identificar as palavras. Era um bom aluno, obediente”, disse ainda, acrescentando que pretendia mais para a frente ensinar o filho princípios de mecânica, por causa do grande interesse da criança em carros.

Instantes antes do atropelamento, Pereira afirma ter brincado de fazer cócegas na barriga do filho, brincadeira que o divertia. “Essa é a última lembrança que tenho dele com vida.”

O corpo de Alex não havia sido liberado pela IML (Instituto Médico Legal) até a publicação desta reportagem. A família pretende sepultá-lo em Cosmópolis.

*** Informações com 👉 FolhaPress

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