Em feira de Fortaleza, clientes driblam carestia trocando cará-tilápia por piaba e pedaços de carne por sarrabulho.

Na feira do Bairro Carlito Pamplona, a procura por pequenas porções em vez de grandes quantidades fez os comerciantes se adaptarem às necessidades dos clientes. A dona de casa Francisneide Muniz, 67 anos, sempre frequenta as feiras do Bairro Carlito Pamplona, onde mora há quase 50 anos, em Fortaleza. Antes ia com o marido, que ajudava com as sacolas. Agora vai sozinha. O motivo? Pouca coisa para levar. Além da opção por pequenas porções, os clientes trocaram itens mais nobres por outros mais baratos, como os pequenos peixes piaba e miúdos.
Segundo a dona de casa, há uns cinco anos atrás, pedia até a ajuda de vizinhos para trazer para casa frutas, legumes e carnes. Hoje a situação é diferente. Na manhã desta sexta-feira (10), Francisneide foi a feira para comprar somente algumas frutas, legumes e um pedaço de peixe.

O acompanhamento de preços dos alimentos e bebidas feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que nos últimos 12 meses esses itens e tiveram aumento de 13,94% no Brasil e de 15,82% em Fortaleza. São preços pressionados por fatores como seca nas regiões produtores e aumento dos combustíveis.

Ângela Ribeiro, comerciante há 25 anos, também sente a diferença. Ela conta que teve de se adaptar à situação financeira do cliente que antes levava tudo no quilo e hoje faz compras a granel. Francisneide lembra ainda que costumava a tirar um dia da semana para levar só fruta. “Era nas quartas ou nas quintas-feiras. Levava um saco com 30 laranjas, às vezes, 50. De três a cinco pencas de bananas, quilos e quilos de tomate, cebola, beterraba, goiaba, mamão, melão. Olha o que estou levando? Dez laranjas e estou agradecendo a Deus”.

Piaba vira opção – Outro comerciante que sente a crise é Ronaldo Sousa. Ele trabalha em feiras desde criança com o pai e lembra que uns anos atrás ia para casa antes das 10h com todo o pescado vendido. Nesta sexta, já era quase meio dia e havia muito peixe no balcão. As piabas caíram no gosto da clientela.

O sapateiro Beto Tavares foi à feira para comrpar peixe e durante a negociação com Ronaldo disse que queria levar um cará-tilápia e mais duas cabeças de qualquer peixe.
O feirante Wibson Nascimento trabalha há menos tempo como açougueiro. Mesmo assim presencia a dificuldade financeira dos clientes. Ele afirma que parou de vender carneiro porque o produto não saía. Passou a apostar na venda de carne suína e miúdos do animal.
“Comprei meio quilo de chuchu, umas cebolas e um raminho de cheiro verde. Isso se junta às cabeças. A mulher acrescenta o macarrão e dá uma sopa para a família por duas noites. O cará inteiro é para o almoço”, disse.

Baião de dois é ‘coisa do passado’ – A dona de casa Ângela Ribeiro adora baião de dois. Nesta sexta, estava na feira com o marido Carlos Cristiano. Mas não para comprar os ingredientes do prato nordestino famoso.
“Eu costumava fazer um panelão de baião de dois para render a semana toda. Aí combinava com uma carninha ou frango. Baião hoje nem pensar. Arroz tá caro, feijão de corda, o feijão verde e até o queijo também. Estou aqui com uma sacolinha com um torresmo e umas costelas que o rapaz ali me fez por um preço bom. E só dura três dias. Aqui na outra sacola tem ovo. E vou ali na frente comprar mortadela e outras misturas para semana”, conta.

*** Informações com 👉 G1 Ceará

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