“Carta ao povo brasileiro” X “Nota à Nação”; por Gilberto Menezes do Jornal do Brasil.

Em junho de 2002, ainda sob desconfiança de boa parte do empresariado e da classe média brasileira, o então candidato do PT, com ajuda direta do então presidente da Construtora Norberto Odebrecht, Emílio Odebrecht, escreveu a “Carta ao povo brasileiro” renegando tudo que pregara em palanques pela vida afora, a começar pelo calote na dívida externa brasileira e na dívida interna.

Uma carta compromisso pelo respeito à economia de mercado, que completava a face “Lulinha paz e amor” trabalhada pelo publicitário Duda Mendonça. Lula, como se sabe, foi eleito e cumpriu as promessas no começo do mandato. Mas se enrolou no mensalão, enquanto a gulosa CNO engasgou-se em meio ao petrolão e à Lava-Jato.

O presidente Jair Bolsonaro, que ajudou a sepultar a Lava-Jato, depois de dois meses de seguidas convocações a seus apoiadores para mega manifestações no 7 de Setembro contra o Supremo Tribunal Federal, cumpre as promessas e investe duramente contra os ministros, especialmente Alexandre de Moraes, que comanda o inquérito das “fake news”. Dois dias depois. diante das reações, dá uma guinada de 180 graus, posa de bonzinho e dá o dito pelo não dito na “Nota à Nação”.

À luz da história, dá para acreditar em quem em 2022?

Simão Bolsonaro ou Jair Bacamarte?

Quem viu e ouviu o presidente Jair Messias Bolsonaro discursando raivoso no 7 de Setembro, em Brasília, quando disse que ia “convocar o Conselho da República”, que só se reúne para decretar intervenção militar, Estado de Sítio ou de Defesa, para o qual também ter de ser convocado o Conselho de Defesa Nacional, e na avenida Paulista, em São Paulo, quando chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha” e ouviu e viu o presidente do Executivo hoje quase pedir desculpas e jurar que não pretendeu agredir nenhum dos outros Poderes, há de se lembrar do genial conto “O Alienista”, do mestre Machado de Assis.

Publicado no livro “Papéis Avulsos”, de 1882, o conto tem por cenário a pacata cidade de Itaguaí, no litoral Sul do Estado do Rio de Janeiro e como personagem principal o brasileiro, nascido na cidade, Simão Bacamarte, que conclui estudos em Portugal. Lá ele se forma em medicina psiquiátrica. Após ganhar fama e reconhecimento em círculos universitários europeus, protegido do Rei e louvado na Corte, retorna à terra natal.

“O Alienista” foge de padrões mais comuns. A estrutura narrativa se desdobra em circunstâncias inesperadas, cativando o leitor, que é guiado para um mundo imaginário, surpreendentemente plausível, real; no entanto, absurdamente quimérico, fantasioso, inexistente. Bacamarte simboliza o sábio que só presta contas para a ciência, da qual se diz devoto e fiel seguidor. Mas era, na verdade um tirano. Dona Evarista de Moraes sua esposa; viúva, teve um primeiro casamento, beirava os 25 anos quando se casou com o médico. Não era bonita nem simpática. Bacamarte apostou nas qualidades fisiológicas e anatômicas da esposa, que, no entanto, não lhe deu a descendência que esperava.

Na sátira há também um certo Porfírio, apelidado de Canjica, o barbeiro, que liderou uma rebelião contra o alienista. Crispim é o boticário, o farmacêutico que manipulava receitas, prescrevia unguentos, vendia remédios e prestava assistência médica em emergências.

Ao se instalar em Itaguaí, o Dr Simão passou a catalogar a maior parte da população como desequilibrada mentalmente. Há tanta gente que decide criar um manicômio. Para custear a obra, criou um imposto especial, dobrando a tributação.

E fez gravar no frontispício da Casa de Saúde frase atribuída ao Profeta Maomé, que teria respeitado os loucos, dado que deles, por poder divino, fora retirado o juízo, exatamente para que não pecassem. No entanto, Bacamarte atribuiu a citação do profeta ao Papa Benedito VIII, na expectativa de não desagradar às autoridades da Igreja Católica. Assim, ganhou apoio incondicional dos clérigos. E o manicômio ficou conhecido como o sanatório de Casa Verde em virtude das cores das janelas.

O Dr. Simão Bacamarte lotou o hospital, a loucura era generalizada, estava em todos os lugares. Depois de algum tempo ele dá alta a todos os que passam pela Casa Verde após tratar o equilíbrio mental e com isso desenvolve uma nova teoria: como ninguém tinha uma personalidade perfeita, exceto ele próprio, o alienista conclui ser o único anormal e decide trancar-se sozinho na Casa Verde, vindo a falecer poucos meses depois.

Tudo junto e misturado – No conto, Machado trata de vários temas de psicologia forense (a loucura é o fio condutor da história), ironiza a questão da tributação e a relação entre política e Direito (a casa dos alienados era decorrente da autoridade e do prestígio de seu diretor, o Dr Simão Bacamarte).

Transplantando para o Planalto Central e a Praça dos Três Poderes, fica difícil entender quem é são ou quem é louco. A esquizofrenia do presidente da República, num dia lobo, noutro cordeiro é de chamar atenção. Sobretudo quando não se sabe quando o lobo está com a pele do cordeiro…

Personagens à procura de um enredo – Já na vida real, a situação é bem mais louca. Perde a elegância e a ironia de Machado e vira mais uma novela mexicana. A começar pelos personagens.

Um dia dá-se ao cantor Sérgio Reis, simpático a Bolsonaro e às pautas do agronegócio (contra as restrições dos ambientalistas) a função de líder das convocações do 7 de Setembro, mas o real mobilizador dos caminhoneiros que romperam as primeiras barreiras no acesso à Esplanada dos Ministérios em 6 de setembro era o personagem “Zé Trovão”, que incitava o povão pela internet.

Com mandato de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, “Zé Trovão” é localizado pela Polícia Federal, com auxílio da Interpol, no México, em companhia de blogueiro bolsonarista, já preso no inquérito das “fake news”.

A pergunta que não quer calar é: quem banca essas viagens e esses deslocamentos de frotas de caminhão? Se há reclamações contra a gasolina acima de R$ 7 o litro e do diesel rondando os R$ 5, deixar um caro e pesado caminhão parado exige muita disponibilidade de capital. Nenhum caminhoneiro autônomo tem capital de giro para jogar dinheiro fora à toa.

Nevoeiro na Paulista – Na avenida Paulista, palco dos ataques de Bolsonaro na tarde de 7 de Setembro e outrora reduto dos seus apoiadores engravatado, reina a perplexidade. O que quer e pretende Jair Bolsonaro, afinal?

Inflação de 10% em setembro – O Departamento de Estudos Econômicos do Banco Itaú-BBA está prevendo alta de 1% no IPCA de setembro, quando haverá o impacto integral do reajuste de 50% na tarifa da bandeira vermelha 2 para a tarifa de emergência hídrica.

A tradução disso é que a inflação oficial em 12 meses chegará a 10% em setembro. Ela estacionou em 9,68% em agosto, com a alta mensal de 0,87% (muito acima das previsões do mercado, de 0,70/0,71%). Como em setembro de 2020 o IPCA subiu 0,86% a taxa acumulada em 12 meses bateria em 10,005%.

Em agosto o INPC, que mede a despesa das famílias do andar de baixo, com renda até cinco salários mínimos (R$ 5,5 mil), subiu 10,42%. Várias cidades registram inflação acima de dois dígitos no IPCA (até 40 salários mínimos) e no INPC.

Reduc faz 60 anos – Uma das cinco refinarias que permanecerão sobre controle da Petrobras, após a venda das unidades do Sul (Canoas-RS, e Araucária-PR), Gabriel Pasos (MG), Landulpho Alves (BA), já vendida), Abreu e Lima (PE), a pequena refinaria Sabbá, de Manaus (também já vendida) a Refinaria Duque de Caxias (RJ) completa hoje 60 anos de operação. A Reduc opera com 1.200 empregados próprios e 1.800 terceirizados.

Com capacidade para processar 252 mil barris de petróleo por dia, a Reduc, na Baixada Fluminense é a 3ª maior e a mais complexa da Petrobras, com 43 unidades de processo distribuídas por 13 km², que produzem mais de 50 tipos de derivados diferentes. A Reduc é a mais próxima dos centros produtores (as bacias de Campos e de Santos, hoje focadas na extração de óleo e gás da camada do pré sal.

Também saem da Reduc cerca de 80% da produção nacional de lubrificantes e boa parte do GLP do Brasil.

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“O tiro saiu pela culatra”: ‘Nunca tive intenção de agredir os poderes’, diz o ‘acuado’ Bolsonaro em nota nesta quinta (09).

*** Informações com 👉 Jornal do Brasil (Gilberto Menezes Côrtes)

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