quarta-feira, 3 de março de 2021

Interceptações detalham suposto apoio de chefe do Comando Vermelho a políticos

O Ministério Público Estadual (MPCE) requisitou à Polícia Federal abertura de inquéritos para investigar suposto apoio dado por membros de fação criminosa a campanhas políticas nas últimas eleições municipais de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. O caso, que já havia vindo à tona com a prisão de Francisco José dos Santos Freitas, o Zezim da Horta, de 33 anos, é detalhado em transcrições de interceptações telefônicas feitas na operação Guilhotina, às quais O POVO teve acesso. A defesa dele nega sua associação com a política local.
Os diálogos são reveladores de negociações entre políticos e o chefe de uma das maiores e mais capilarizadas facções criminosas do Brasil, com grande presença pelo Ceará. Em uma das interceptações, Zezim, acusado de ser chefe local do Comando Vermelho (CV), conta estar procurando candidatos para apoiar. Em 17 de outubro, menos de um mês antes da eleição, Zezim aparece conversando com um candidato a vereador, que viria a ser eleito. Na conversa, ele cita dez localidades onde teria influência. O vereador, então, pergunta o que pode fazer para ajudá-las. Zezim responde querer R$ 5 mil em material para construir casas na comunidade Boa Vista dos Valentim. “São tudo carente e são tudo por mim”, diz sobre os moradores do local. Na conversa, ele ainda admite ser traficante. Em seguida, ele diz ter conversado com um assessor do candidato a prefeito.
Zezim ainda conta que, nas eleições passadas, apoiou um outro candidato a vereador e se gaba que ele foi eleito. Entretanto, justifica sobre o motivo que fez com que não o apoiasse nas últimas eleições: "Eles queria lá queria que eu ficasse chegando nos cara que são cidadão, ameaçando quem não fizesse campanha nas área dele, esse tipo de coisa, e eu não vô fazê" (sic).
Quando foi preso, em 29 de outubro, Zezim afirmou, porém, ter recebido dinheiro de um outro candidato. Em depoimento, ele contou ter ouvido de um amigo, que apoiava o vereador e um candidato a prefeito, que conseguiria R$ 10 mil se o Zezim também os apoiasse. Segundo depôs, ele recebeu adiantamento de R$ 5 mil e receberia o restante após as eleições. "Quero deixar claro que esse dinheiro não foi para facção, mas sim para ajudar os moradores de uma comunidade carente na construção de casas", disse.
Nas interceptações, Zezim aparece conversando com um homem, que promete colocá-lo em contato com um assessor de um candidato à Prefeitura. Em outra ligação, ele diz que irá pedir a doação de um terreno da Prefeitura e mais R$ 30 mil. Ele também diz que pretende comprar drogas para “incentivar” os “correrias” dele a atuarem na coação por votos.
Em outro telefonema, Zezim diz ter falado com o assessor do candidato a prefeito, que teria dito não ter R$ 20 mil, mas perguntou “se R$ 8 mil resolveriam”. O acusado, então, diz que iria pedir 10 mil e o terreno. O homem com quem conversava, contato entre ele e o assessor, fica de apresentar as propostas. Não fica claro nos trechos ao qual O POVO teve acesso se Zezim conseguiu conversar com o candidato. Ele não foi eleito.
Em outra transcrição, Zezim aparece ameaçando um comerciante por ele, supostamente, estar apoiando, junto com integrantes da facção Guardiões do Estado, um vereador em área do CV. "Eu tô sabendo que vocês tão com um movimento aí dento do Papoco aí, querendo coagi aí os cidadão aí a tá votando num tal dum vereador" (sic). "Se vocês quisé fazê esse movimento de vocês vão fazê noto canto" (sic).
O advogado que representa o acusado, que pediu para ter a identidade preservada, afirmou que, como o processo corre em segredo de justiça, não poderia dar mais detalhes. Entretanto, ele afirmou que Zezim só confessou envolvimento por ter sido ameaçado de prisão. Foi uma forma de proteger a família, afirmou.
O POVO opta por não divulgar os nomes dos políticos citados por não haver ainda acusação formal contra eles.
No telefone: 
Falas interceptadas de Francisco José dos Santos Freiras, o Zezim da Horta
"Nem quero que você comente não, meu negócio é minha vendinha de droga, todo mundo sabe, eu num tô pra atrazá o lado de ninguém, cidadão nóis não mexe... [...] Os cara (de um outro vereador) queria que eu ameaçasse cidadão que tá trabalhando na campanha pra outro candidatos, e eu não gosto disso, sou errado mas minhas coisa são direita" (sic).
"O que é que eu vô tê que fazê: eu vô tê que comprá uns 2 ou 3 quilo de maconha com esse dinheiro aí né, pra distribuir pros menino aí [...] pra podê também os cara me apoiá né, com gosto né. [...] porque eu dando 200 grama a um, ele vai fazê uns 2, 3 mil conto né, aí já fica animado pra ajudá o cara" (sic).
"Eles queria lá queria que eu ficasse chegando nos cara que são cidadão, ameaçando quem não fizesse campanha nas área dele, esse tipo de coisa, e eu não vô fazê" (sic).
Para comerciante:
"Eu tô sabendo que vocês tão com um movimento aí dento do Papoco aí, querendo coagi aí os cidadão aí a tá votando num tal dum vereador. Se vocês quisé fazê esse movimento de vocês vão fazê noto canto" (sic).
*** Informações com 👉 O Povo
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