sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Rio vive cenário peculiar em 2020 com Witzel afastado e Crivella inelegível

Um dos colégios eleitorais mais importantes do país, o Rio de Janeiro vive uma situação peculiar: está com
um governador afastado à beira do impeachment e o prefeito da capital estadual inelegível até 2026. Mais do que uma situação local, o futuro político dos dois representantes do Executivo fluminense é de grande interesse do Palácio do Planalto. Político com longa carreira no Rio de Janeiro até se tornar presidente da República, Jair Bolsonaro dedica especial atenção em eliminar a trajetória do desafeto Witzel e aumenta a influência política do clã no estado.
Em junho, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aceitou, por unanimidade, o processo de impeachment contra o governador afastado Wilson Witzel (PSC). Mais de três meses depois, com o político já afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mais informações relativas ao suposto envolvimento dele em esquema na Saúde, os deputados estaduais repetiram o placar: 69 a 0. Em situação bem diferente, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), acossado por denúncias de corrupção, conseguiu barrar dois pedidos de impeachment em um período de 15 dias. É na Justiça que o prefeito do Rio enfrenta sérios obstáculos para o seu projeto político.
Analistas ouvidos pelo Correio apontam as diferenças entre Crivella e Witzel. O primeiro foi senador por duas vezes, tem uma base sólida entre evangélicos, ocupa a prefeitura há quase quatro anos e construiu uma base política na Câmara dos Vereadores. Witzel, por outro lado, entrou para o governo quando ninguém imaginava que pudesse ser eleito. Ex-magistrado e sem histórico na política, conquistou o eleitorado com um discurso moralizador e venceu o veterano Eduardo Paes.
Analista político do portal Inteligência Política, Melillo Dinis desconhece o afastamento de um chefe do Executivo de forma tão inequívoca como a de Witzel. Para ele, o gesto da Assembleia Legislativa mostra que o governador afastado não teve nenhum tipo de relação com parlamentares, nem mesmo com aqueles que se elegeram com ele. O ex-magistrado não possui, tampouco, um eleitorado fiel. Witzel, segundo Dinis, beneficiou-se da rejeição dos eleitores aos políticos do “sistema”  ou seja, aqueles que rejeitaram os outros candidatos e viram em Witzel uma possibilidade. “Ninguém sabia quem ele era”, comenta.
Quase dois anos depois, os ventos favoráveis a Witzel acabaram. Na última quarta-feira, o clima entre os deputados estaduais foi de unanimidade para dar prosseguimento ao processo de impeachment. Independentemente do que o acusado falasse em sua defesa, o entendimento era de que não havia clima político para livrar o governador. Até amigos pessoais de Witzel, como Bruno Dauaire (PSC)  que chegou a ser escolhido como líder do governo em julho, mas não assumiu , e Rodrigo Amorim (PSL), votaram contra ele. A ausência de uma base fiel foi comentada pelos parlamentares. Chicão Bulhões (Novo) disse que o governador não se relacionou com a Alerj e “nem sequer governou o estado do Rio”.
*** Informações com:  Correio Braziliense

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