terça-feira, 22 de setembro de 2020

Pesquisadores desenvolvem técnicas para biofortificação de alimentos

A salada pode ficar ainda mais saudável no prato do brasileiro. Alface com quantidade de zinco até 16 vezes maior nas folhas é o resultado de uma pesquisa desenvolvida no Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. A biofortificação desse alimento foi obtida a partir de aplicações de doses crescentes de sulfato de zinco no solo, até o limite que não impacte a qualidade, a produtividade da planta e o ambiente.
O teor desse nutriente, que normalmente é de 41,5 miligramas por quilo de massa seca de alface, saltou para 704 miligramas na mesma quantidade da folhosa mais consumida no Brasil. Isso significa que, ao ingerir 50 gramas ou seis a sete folhas dessa alface biofortificada, a pessoa obtém cerca de 25% da recomendação diária desse importante reforço do sistema imunológico humano.
O objetivo da pesquisa foi ofertar tecnologia que resultasse em alimento biofortificado com zinco, já presente na dieta do brasileiro, de consumo acessível e fácil preparo. Trata-se de uma notícia positiva, considerando que 30% da população mundial apresentam deficiência de zinco, que também é fundamental para o crescimento e desenvolvimento de crianças.
TecnologiaA carência de zinco na população motivou a realização desse estudo em doutorado na pós-graduação do IAC, iniciado em 2017 e ainda em andamento. A expectativa era transferir essa tecnologia aos horticultores ainda em 2020, mas, por conta da pandemia de COVID-19, isso deverá ocorrer em 2021, após validação dela. Essa tecnologia utiliza fertilizante de baixo custo, por isso deverá beneficiar o agricultor, que poderá oferecer produto com valor agregado.
De acordo com o pesquisador do IAC e orientador do estudo, Luis Felipe Villani Purquerio, no experimento foi aplicado o sulfato de zinco diluído em água uma vez 15 dias antes do transplante das mudas. Normalmente, o zinco é usado na produção de hortaliças em formulações de fertilizantes com outros micronutrientes. “A aplicação somente do zinco não é comum, a não ser em casos que o solo esteja deficiente”, afirma.
A pesquisa foi realizada em estufa agrícola, com as cultivares Vanda, alface tipo crespa, e Saladela, tipo crocante. Foram aplicadas doses de 0, 5, 10, 20, 30 e 40 miligramas de zinco, por decímetro cúbico de solo, que equivale a um vaso cujo volume é de um litro.
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