terça-feira, 18 de agosto de 2020

Homem preso no Ceará teria vindo de São Paulo para assumir chefia de facção após morte do primo, diz Polícia Civil

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Ceará, descobriu que um homem preso em julho no Ceará veio de São Paulo para assumir a chefia da organização criminosa que comanda o tráfico de drogas em Itapipoca, na região Norte do estado. O suspeito seria primo do antigo chefe da facção, morto em 2019.
Marcílio Pires de Sousa foi preso em flagrante, na posse de munições, no cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Dominus, no dia 23 de julho deste ano. A defesa nega que ele seja o proprietário das munições e que seja o chefe de uma quadrilha.
Primo executado
Francisco Talvane Teixeira, primo de Marcílio, foi executado a tiros por três homens que simulavam ser policiais, na frente de advogados, na saída de um restaurante onde almoçavam. O crime aconteceu no Bairro Cidade 2000, em Fortaleza, no dia 26 de abril do ano passado.
Talvane era condenado pela Justiça estadual por homicídio e associação criminosa e respondia ainda por roubo a uma empresa de transporte de valores e por sequestro.
O relatório policial da Draco afirma que Talvane era um "famoso assaltante de banco e chefe de organização criminosa", que "escolheu a sua terra natal, Itapipoca, para exercer seu comando, após a construção de vultuoso patrimônio, se colocando acima de todas as autoridades e sendo considerado um verdadeiro 'Deus' pelos moradores do citado município".
A polícia compara Talvane ao traficante colombiano Pablo Escobar, que também "utilizava de violência (ordenando homicídios, torturas, traficando drogas, etc) para manter uma falsa paz na região da terra dos três climas". O domínio do traficante em Itapipoca durou décadas e não permitia venda de crack na região, nem roubos e furtos a pequenos comércios.
Nova chefia
As investigações apontam que Marcílio Pires de Sousa - com passagens pela polícia por tráfico de drogas, uso de documento falso e descaminho - voltou para o Ceará para assumir a chefia da quadrilha. Ele passou a residir em um sítio em Itapipoca, cercado por muros, cercas de arame farpado e câmeras de videomonitoramento, e a andar acompanhado de supostos seguranças.
A residência foi um dos 16 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na Operação Dominus, deflagrada em 23 de julho, após determinação da Vara de Delitos de Organizações Criminosas. No imóvel, a Polícia Civil recolheu apenas documentos e não encontrou o suspeito.
Responsável pela defesa de Marcílio de Sousa, a advogada Erbênia Rodrigues sustenta que ele não é membro de organização criminosa e rebate a narrativa da Polícia Civil de que ele veio de São Paulo para liderar uma quadrilha que domina o tráfico de drogas em Itapipoca.
"Não é verdadeira essa acusação contra ele. Ele estava preso desde 2012, eu consegui a progressão de regime para ele em 2018. Desde então, ele estava em casa com tornozeleira eletrônica. Como ele viria de São Paulo para assumir esse comando?", questiona, referindo-se ao tempo em que Marcílio passou preso após ser encontrado com 520 kg de maconha.
Prisão em flagrante
O primo e suposto sucessor de Talvane Teixeira foi localizado em outra residência, no Bairro São Bento, em Fortaleza, na sequência da Operação, ainda no dia 23 de julho. De acordo com o inquérito policial, Marcílio autorizou a entrada dos investigadores no imóvel, onde foram apreendidos um carregador de pistola, munições e uma pequena quantidade de droga. O suspeito foi preso em flagrante por crimes do Sistema Nacional de Armas, mas alegou que o entorpecente era para consumo próprio.
A Draco ainda apreendeu três aparelhos celulares e um veículo de luxo blindado e avaliado em R$ 275 mil. Conforme a investigação, o suspeito comprou o automóvel com blindagem por receio de sofrer um atentado e ser morto, como foram Talvane e o número 2 da organização criminosa em Itapipoca, José Teixeira Pires, o 'Zeribaldo'.
Sobre a prisão em flagrante, a advogada Erbênia Rodrigues reclama que a Polícia Civil não tinha mandado de busca e apreensão para ingressar na residência do cliente em Fortaleza e afirma que o carregador e as munições eram de outra pessoa, que mora no andar de cima do duplex.
 *** Informações com:  G1
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