sexta-feira, 5 de junho de 2020

Após 38 anos de casa, Miguel Falabella é dispensado pela Globo em corte de gastos

Miguel Falabella foi dispensado pela Globo após 38 anos de casa. O ator foi comunicado que seu contrato não seria renovado na quinta-feira (4). A demissão do autor e diretor acontece em meio à política de cortes de gastos que a emissora está implementando por conta da pandemia do coronavírus, que reduziu suas receitas publicitárias em cerca de 30%. Ele tinha contrato até setembro, e a rescisão foi antecipada.
A informação foi dada em primeira mão pela colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, e confirmada pelo Notícias da TV. O motivo da demissão do dramaturgo é seu alto salário e baixa produção nos últimos anos.
Miguel Falabella comentou a saída da Globo em uma publicação no Instagram na manhã desta sexta-feira (5). "Nesses quase quarenta anos fui muito feliz e muito bem tratado sempre. Seguir novos caminhos não significa abandonar o que se conquistou na caminhada. Só tenho boas lembranças. Só tenho sorrisos", escreveu.
"Cheio de gratidão por todos os companheiros que estiveram ao meu lado nessa jornada e ao público que viu algo em mim que nem eu mesmo via. Obrigado. Eu ia fazer um vídeo, mas nessas horas a gente fica com o coração mole. Como diria Drummond, amanhã eu recomeço!", encerrou.
Carreira na Globo - Falabella entrou na Globo em 1982, e a primeira novela em que atuou foi Sol de Verão (1993), de Manoel Carlos. Ele não parou mais: fez Selva de Pedra (1986), Amor com Amor se Paga (1984), Tieta (1989), Livre para Voar (1984), O Outro (1987), Mico Preto (1990), A Viagem (1994), Cara & Coroa (1995), Agora é que São Elas (2003) e a minissérie As Noivas de Copacabana (1992).
Miguel atuou como apresentador no extinto Vídeo Show (1983-2019) durante 15 anos, entre 1987 e 2001.
Fez sua estreia como diretor em Sassaricando (1987). Já a primeira novela como autor foi Salsa e Merengue (1996), em coautoria com Maria Carmem Barbosa, assim como A Lua Me Disse (2005). Também escreveu Negócio da China (2008) e Aquele Beijo (2012).
Se destacou como roteirista das séries de humor TV Pirata (1988); Sai de Baixo (1996-2002), em que conquistou o público com o ranzinza Caco Antibes; Toma Lá, Dá Cá (2007-2009) e Pé na Cova (2013-2016).
Também estão no currículo do dramaturgo Delegacia de Mulheres (1990), Armação Ilimitada: Vida de Tiete (1985), O Fantasma do Rock (1986) e Sexo e as Nêga ( 2014). Miguel Falabella ainda atuou como jurado do Show dos Famosos, quadro do Domingão do Faustão.
O último projeto do diretor no Grupo Globo foi Eu, Minha Avó e a Boi (2019), série disponibilizada no Globoplay e baseada em mensagens publicadas no Twitter por Eduardo Hanzo.
No ano passado, Miguel já tinha dito que pretendia deixar a emissora para "ter mais liberdade". Durante o 47º Festival de Cinema de Gramado, em que lançou seu filme Veneza (2019), ele revelou que não pretendia renovar o contrato de exclusividade que mantinha com a emissora e que venceria dali a ano e meio.
Demissões na Globo - Assim como a dispensa de José de Abreu, a saída de Falabella da Globo está no contexto de cortes de despesas de até 20% que o Notícias da TV adiantou no início da semana. A emissora não está renovando o contrato de quem não tem previsão de novos trabalhos.
A pandemia da Covid-19 obrigou a empresa a acelerar mudanças previstas no projeto Uma Só Globo, que unifica cinco unidades de negócios, entre elas a Globosat e o Globoplay. Vai haver cortes de custos, o que inclui demissões, mas não um passaralho, segundo o CFO (chief financial officer/diretor financeiro), Manuel Belmar da Costa. 
Em algumas áreas, o corte de despesas poderá atingir até 20%, mas em algumas delas não haverá demissões.
#fiqueemcasa
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