segunda-feira, 2 de março de 2020

Moro e Ciro trocam farpas sobre fim de motim de PMs no Ceará

O fim do motim dos policiais militares no Ceará, oficializado neste domingo, 1º, acirrou a disputa política entre o ministro da Justiça e Segurança Pùblica, Sergio Moro, e o ex-governador do estado Ciro Gomes (PDT).
Enquanto Moro atribuiu o fim da crise à intervenção das Forças Armadas por meio da ação federal conhecida como Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que levou militares às ruas de Fortaleza para fazer o policiamento, Ciro enalteceu investimentos em segurança pública de gestões estaduais anteriores para explicar o fim da paralisação.
Desde 2007, o Ceará é administrado por governadores apoiados por Ciro. Seu irmão, Cid Gomes, foi o governador entre 2007 e 2014. Foi sucedido por Camilo Santana (PT), aliado da família Gomes, que está no poder desde 2015 e em seu segundo mandato. Ciro também administrou o estado, entre 1991 e 1994, quando era filiado ao PSDB de Tasso Jereissati. “Ninguém fez pela polícia do Ceará o que nós fizemos”, disse Ciro em vídeo divulgado nesta segunda-feira, 2, em uma rede social. Antes, ele se referiu ao ministro da Justiça como “capanga de miliciano” e criticou a sua atuação frente à crise de segurança no estado.
Moro rebateu os ataques e citou diretamente os irmãos Gomes em publicação feita também em uma rede social. “Explorar politicamente o episódio, ofender policiais ou atacá-los fisicamente só atrapalharam. Apesar dos Gomes, a crise foi resolvida”, escreveu o ministro. 
O presidente Jair Bolsonaro se pronunciou na mesma linha do ministro: “Não somos psiquiatras”, escreveu antes de parabenizar a atuação de Moro no episódio. O presidente se referia à atitude de Cid Gomes, hoje senador, que usou uma retroescavadeira para liberar o 18º Batalhão de Polícia em Sobral, reduto eleitoral dos Gomes, que estava tomado por amotinados – o senador levou dois tiros.
No dia seguinte ao fim do motim, Camilo Santana voltou a afirmar que não irá conceder anistia aos policiais que aderiram à paralisação, que durou 13 dias. O pedido era uma das condições para os militares voltarem ao trabalho, mas não foi aceito pelo governador. De acordo com a gestão Santana, 230 policiais foram afastados do trabalho e vão responder a processos administrativos por terem aderido à paralisação – a lei proíbe greve de policiais militares.
Na sexta-feira, o governo Bolsonaro estendeu a GLO até a próxima sexta-feira, 6 de março.

*** Informações com REVISTA VEJA
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