terça-feira, 5 de novembro de 2019

General pede demissão de secretaria por divergências com ministro de Bolsonaro

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) perdeu mais um general do Palácio do Planalto. Maynard Marques de Santa Rosa pediu demissão nesta segunda-feira (4) do cargo de chefia da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). A SAE, que é hoje vinculada à Secretaria-Geral, chegou a ter status de ministério em governos anteriores, como no da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A função da secretaria é planejar políticas e estratégias nacionais a longo prazo. O pedido de demissão foi formalizado por Santa Rosa nesta segunda ao ministro Jorge Oliveira, chefe da Secretaria-Geral. 
Aliados do general prometem também deixar a SAE por insatisfações com a gestão de Oliveira. A expectativa é de que outros militares o acompanhem em sua decisão. Procurada, a pasta não se manifestou sobre a saída do secretário, e sua demissão ainda não havia sido publicada no Diário Oficial da União. 
De acordo com pessoas próximas ao general, ele decidiu sair do governo por desentendimentos com o ministro. A demissão ocorreu depois de uma série de divergências sobre procedimentos da Secretaria-Geral.
A amigos o general se queixava de estar isolado e que o ministro não levava adiante seus projetos. Procurado pela Folha, o secretário não respondeu aos questionamentos sobre sua decisão de deixar o governo. 
Santa Rosa chegou ao Palácio do Planalto pelas mãos do ex-chefe da pasta Gustavo Bebianno, demitido em fevereiro por Bolsonaro.
Ao fim de uma cerimônia na tarde desta segunda, no Planalto, Oliveira foi questionado por três vezes sobre a saída de Santa Rosa. Em todas, Oliveira afirmou que só comentaria a comemoração ao Dia do Funcionário Público, realizada nesta segunda. "Não sei, não tem nada publicado ainda, tem?", respondeu aos jornalistas.
Ao lado do presidente, Oliveira participou de uma cerimônia para comemorar a data, que é celebrada em 28 de outubro.
"Hoje aqui a gente só queria parabenizar os servidores, que é uma singela homenagem que a gente faz a todos que estão trabalhando aqui na Presidência, mas representando todos os servidores públicos", disse.
Questionado se houve algum problema entre ele e o general, Oliveira não respondeu, deu as costas e subiu a rampa em direção a seu gabinete. O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, confirmou que a saída do general partiu de um pedido dele e não respondeu sobre os motivos da demissão. 
"Essa pergunta, em face do pedido de demissão de ser da lavra do general, a ele deve ser endereçada", disse. 
Capitão reformado do Exército, Bolsonaro conta atualmente com 8 militares entre os 22 ministros. O Palácio do Planalto, onde estão sediadas quatro pastas, chegou a ter três generais como titulares, além do vice-presidente, Hamilton Mourão.
Desde o início do ano, porém, dois generais foi demitidos de seus cargos como ministros: Carlos Alberto dos Santos Cruz, que deixou a Secretaria de Governo após longo desgaste com um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), e o general Floriano Peixoto, que foi retirado da Secretaria-Geral para presidir os Correios. 
Levantamento feito pela Folha até meados de outubro mostrou que, em seus primeiros nove meses na Presidência, Bolsonaro já ampliou em ao menos 325 postos o número de militares, da ativa e da reserva, que participam da administração federal.
Além dele e do vice, há ao menos 2.500 militares em cargos de chefia ou assessoramento, em uma curva ascendente iniciada sob Michel Temer (2016-2018) — que rompeu com a simbólica prática de governos anteriores de nomearem civis para comandar o Ministério da Defesa.
Nos bastidores da saída de Santa Rosa, auxiliares de Bolsonaro comentam a possibilidade de que o episódio seja visto como novo enfraquecimento dos militares na atual gestão.
Ao longo do primeiro ano de governo, representantes das Forças Armadas protagonizaram discussões públicas com Bolsonaro e com o guru da direita, o escritor Olavo de Carvalho, que já dedicou uma série de vídeos e publicações em suas contas nas redes sociais para defender que Bolsonaro se afastasse de nomes como o vice Mourão e o ex-ministro Santos Cruz.
*** Informações com FOLHA DE SÃO PAULO
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