sexta-feira, 29 de março de 2019

Cirurgião plástico cearense é investigado por duas mortes e cinco deformações em pacientes. Assista

Lia, Sandra, Sara, Camilla, Maria do Carmo e Marta Régia tinham um sonho em comum: o corpo perfeito. Tiveram também o mesmo destino, acabaram sendo pacientes de um cirurgião plástico afamado de Fortaleza que realizou procedimentos mal sucedidos nelas, entre os anos de 2015 e 2019. Duas das vítimas estão mortas e cinco sofreram deformações. A Polícia Civil está investigando a conduta do médico que continua atendendo normalmente na capital cearense.
A primeira denúncia contra o médico foi feita no 2º Distrito Policial, no bairro Aldeota, em dezembro de 2017, pela youtuber Camila Bezerra Dantas, conhecida como Camilla Uckers. Segundo ela, as sequelas psicológicas duram até hoje.
“A primeira coisa que me fez escolher o Danilo (Dias) foi porque ele fazia permutas. O acordo era ele não cobrar nada pela cirurgia e eu divulgar o trabalho dele em minhas redes sociais, que tinham muitos seguidores. Eu pesava 37 kg e fui internada para colocar silicone nos glúteos, fazer rinoplastia e uma lipoaspiração, no mesmo dia. Acabei com uma lesão no nervo ciático e uma hemorragia. Nada vai ser como antes, o Danilo Dias acabou meu sonho”, afirmou.
Um pedido de prisão por tentativa de homicídio foi encaminhado pela defesa da youtuber ao Ministério Público do Estado (MPCE).
Diante do aumento do número de vítimas com relatos parecidos, o então delegado titular do 2ºDP, Carlos Teófilo, tornou o inquérito coletivo em 2017. Porém, após a Polícia tomar conhecimento da morte da médica Lia Coelho Pacheco Dias, ocorrida no ano de 2016, nove dias depois de uma lipoaspiração, o inquérito foi transferido para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). As investigações estão a cargo da delegada Evna Paixão.
Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que “o DHPP investiga as denúncias contra um cirurgião plástico em Fortaleza. Mais detalhes serão divulgados no momento oportuno para não comprometer a investigação”. 
Outros casos
Esse não é o único caso envolvendo o médico que terminou em morte. No dia 9 de março deste ano, o cirurgião foi ouvido em uma delegacia de São Paulo, após uma paciente não resistir a três paradas cardíacas, logo após uma lipoaspiração. A Polícia Civil de São Paulo levou o cirurgião até o 16º DP, onde ele confessou ter realizado o precedimento. No Ceará, Danilo nunca chegou a ser ouvido.
Porém, um policial cearense que participa das investigações disse que o inquérito está praticamente pronto. “Muita gente foi ouvida, inclusive a família da médica que morreu, que era casada com um irmão do Danilo Dias. Com essa outra morte, em São Paulo, as coisas tendem a se complicar para ele. As investigações dos casos com sobreviventes tendem a considerá-lo um risco à sociedade, por conta da série de negligências. Já o caso da médica, que era cunhada dele, caminha para se configurar como um homicídio com dolo eventual (quando não há intenção, mas se assume o risco de matar)”, afirmou o investigador.
Na noite da última quarta-feira (27), o médico, que se identificava em uma rede social como @danilordias, excluiu o perfil com milhares de seguidores. Segundo policial que conversou com a reportagem, a exposição pode prejudicá-lo. “Quanto mais foto com famoso, legenda dando dica, depoimento de procedimento bem sucedido, pode parecer má-fé, diante da quantidade de casos de mutilações e mortes, em que ele está sendo investigado. As negligências vão parecendo mais irresponsáveis se ele continuar se mostrando ao púbico como um grande cirurgião”, considerou.
No Conselho Regional de Medicina (CRM) tramitam sindicâncias contra Danilo pela realização de permutas. Para o policial, este é outro ponto que pode prejudicar o médico. “Ele fazia muitas permutas, ou seja, não cobrava pelos procedimentos realizados em famosos, em troca de divulgação nas redes sociais deles. Foi assim que se tornou um médico conhecido”, avaliou.
Para o advogado Werner Feitosa, que representa três vítimas de supostas negligências do cirurgião Danilo Dias, o caso é passível de prisão do médico. “Pela coletividade de vítimas, pelo número de pessoas com resultados entregues diversos do esperado, pelas vítimas com sérias lesões e até os casos fatais, já dava para existir uma ordem de prisão preventiva contra o médico”, avaliou.
A reportagem entrou em contato com o advogado Ricardo Gifoni, que representa Danilo Dias no Conselho Regional de Medicina (CRM). Ele afirmou que os dois processos que o médico tinha por erro médico foram arquivados e que não se manifestaria sobre outros processos, porque são sigilosos. O Sistema Jangadeiro também tentou contato com o médico, mas o celular dele estava desligado ou fora de área. No consultório do cirurgião, a atendente disse que ele estava viajando. Foi pedido um número de telefone para que ele retornasse a ligação, mas não houve retorno.
** Clique AQUI para ter acesso aos documentos.
*** Informações com Tribuna do Ceará
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