quinta-feira, 3 de maio de 2018

"Um Brasil que não queremos": Na Rodoviária, estudante de engenharia usa "cartaz" para pedir emprego

O técnico em edificações e estudante de engenharia civil, Johnathan Pereira Luz, 28 anos, passou a manhã desta quarta-feira (2/5) na estação Central do metrô, na Rodoviária do Plano Piloto, segurando um pedido de emprego. O quadro, com o apelo "pode me ajudar?", foi a saída que o morador de Samambaia Norte encontrou para tentar preencher a carteira de trabalho. "Tenho esperanças de conseguir algo. Preciso me manter animado, tenho saúde e posso correr atrás, é só uma questão de tempo, uma hora o trabalho vai aparecer", disse Johnathan ao Correio. Uma foto dele foi publicada em uma rede social e repercutiu entre os internautas.
Atualmente, Johnathan faz pequenos serviços para ter alguma renda e seu último emprego com carteira assinada foi em 2015, como vendedor em um shopping. No entanto, prestes a se formar em engenharia civil, ele pretende conseguir um emprego que possibilite atuação na área. "Na engenharia, o pessoal solicita muita experiência ou indicação e, como eu não tenho isso, procurei uma forma de tentar me mostrar e vender o meus conhecimentos para o público", diz.
A estação Central foi escolhida a dedo pelo rapaz, que tem esperanças de que alguém o veja e ofereça um emprego. "Ali é a estação mais movimentada do metrô. Acho que vai aparecer alguma coisa."
Essa não é a primeira vez que Johnathan usa estratégias diferentes para chamar a atenção de empregadores. Há dois meses, ele passou dias entregando currículos junto com algumas balas nos semáforos da cidade. "Como trabalhei muito tempo na área de vendas, tento usar um pouco de marketing para conseguir trabalho. Antes eu tinha feito pacotes com quatro balas e uma breve descrição do meu currículo, mas não deu muito certo", lembra.
Johnathan se apresenta como técnico em edificações, com conhecimento em Revit (software de arquitetura e engenharia), Office e gestão de obras. O técnico ainda promete 50% do primeiro salário para a indicação que der certo. Ele conta que imprimiu 50 currículos para distribuir hoje na estação Central do metrô e conseguiu, até o fim da manha, entregar 10. "Outras pessoas me viram com a placa, me abordaram e tiraram foto do meu currículo", comenta. Até agora, ele ainda não recebeu propostas de emprego, mas diz que não vai desistir. "Se nada der certo hoje, estarei de novo amanhã", insiste. 
Desemprego no DF 

Segundo a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), a média anual de desemprego cresceu no DF. Em 2017, 315 mil pessoas ficaram sem trabalho. A taxa de desocupação elevou-se de 17,8% para 19,3% entre 2016 e 2017. Em 2016, a média foi de 277 mil desempregados. 
*** Informações com Correio Braziliense
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