sábado, 28 de abril de 2018

Mortes por gripe H1N1 quase triplicam no Ceará

O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pela influenza passou de 27 para 91 no Ceará; do subtipo H1N1, foi de 24 para 76. O total de óbitos também aumentou: de 4 para 11. A situação, apesar de séria, ainda não é considerada uma epidemia pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Os casos foram registrados em apenas 16 dos 184 municípios cearenses.
Nenhum dos óbitos tinha histórico de vacinação e entre os quatro postos de saúde visitados pelo O POVO ontem, apenas um oferecia imunização. Outro fator apontado pelo boletim epidemiológico é que apenas três das pessoas que morreram fizeram uso do medicamento Tamiflu em tempo oportuno. “Temos trabalhado muito nisso, tentado difundir o máximo possível o uso de Tamiflu, principalmente para os grupos de risco”, afirmou a superintendente da rede de unidades da Sesa, Tânia Mara, também infectologista.
A recomendação é: se faz parte do grupo de risco e estiver com sintomas gripais (febre, tosse, dor de garganta) deve iniciar o uso do medicamento. “Recebemos novo lote ontem, foram 30 mil comprimidos”, afirmou Tânia. A posologia é de um comprimido a cada 12 horas, por cinco dias. A profissional alertou, porém, que é preciso seguir indicações de prevenção.
Entre as 11 pessoas mortas por H1N1, seis apresentavam comorbidades (imunossupressão, cardiopatia, diabetes, obesidade e pneumopatia crônica).
Um dado relevante apresentado pelo boletim, divulgado ontem, é de que 123 casos de SRAG ainda estão sendo investigados, aguardando o resultado do exame que usa a técnica de swab da nasofaringe. “(Os números) podem mudar porque temos exames aguardando respostas”, ponderou Tânia Mara.
Entre as ocorrências da forma grave da Influenza, uma não teve o vírus subtipado. Não é H1N1, H2N3 ou Influenza B. A infectologista garantiu que isso não significa ser um novo subtipo de vírus. “A carga viral era tão baixa que não foi possível detectar”. Os números totais de SRAG (281) ainda são menores do que os registrados em 2017 (286), mas ano passado apenas 12,6% tinham como causa a Influenza. Em 2018, essa porcentagem já é de 32,4%. “É porque ano passado só circulou o H1N1”. É preciso ressaltar que a SRAG pode ser causada por diversos agentes infecciosos. Entre eles, os vírus da Influenza.
Segundo Ana Vilma Leite, coordenadora de imunização da Sesa, desde o início da campanha, o Estado já recebeu 1,3 milhão de doses da vacina através do Ministério da Saúde (MS), 40% do esperado. Conforme o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), atualizado diariamente, o Ceará já imunizou 338.625 pessoas. Mas os números, conforme Ana Vilma, ainda estão sendo inseridos pelos municípios. (Colaborou Isaac de Oliveira)
*** Informações com O Povo
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