segunda-feira, 5 de março de 2018

Emboscada para matar Gegê e Paca foi registrada por 9 câmeras de segurança. Assista ao vídeo.

Nove câmeras de segurança captaram os detalhes de uma emboscada contra dois chefes de uma das maiores facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram assassinados en 15 de fevereiro em área de mata de uma reserva indígena em Aquiraz, na Grande Fortaleza.
Imagens exclusivas obtidas pelo Fantástico mostram os homens que executaram os dois traficantes se preparando para o crime. Os preparativos iniciaram dois dias antes, às 14h de 13 de fevereiro, quando o helicóptero utilizado na emboscada pousa em um heliponto no Eusébio, distante 25 quilômetros da capital cearense.
No mesmo dia, Fabiano Alves de Souza, o Paca, deixa um condomínio de luxo na Região Metropolitana de Fortaleza em um carro blindado avaliado em R$ 600 mil. No condomínio, ele era conhecido com o nome de Carlos. Ele tinha ido ao local visitar um amigo, conhecido como João. Na verdade, João era o nome usado, no condomínio, por Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue.
Outra câmera mostra Paca, bem à vontade, no prédio em que morava em Fortaleza. Os homens contratados para matar os dois já estão na cidade, hospedados em um hotel a cerca de 4,5 quilômetros do prédio de Paca. O grupo viajou de São Paulo para o Ceará.
ExecutoresUm dos executores é Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Waguinho ou Cabelo Duro. Segundo a polícia, é ele quem organiza tudo. Da mochila, ele tira maços de dinheiro em notas de R$ 50 e paga a hospedagem de todos em dinheiro vivo.
Já passa de meia-noite quando eles sobem para os quartos. Na manhã seguinte, 15 de fevereiro, o grupo deixa o hotel antes das 9h. Em pouco tempo, o grupo chega de táxi ao hangar no Eusébio , onde mais dois homens se juntam ao grupo. Ao todo, são sete homens, incluindo o piloto.
Às 9h28min, o helicóptero levanta voo. Segundo a polícia, o destino é a reserva indígena localizada em Aquiraz, na mesma região. A aeronave pousa em um descampado e seis pessoas desembarcam. Vinte minutos depois o helicóptero está de volta ao hangar. O piloto e Waguinho desembarcar e reabastecem a aeronave.
Decolam novamente às 10h14min. Minutos depois, o helicóptero faz outro pouso, em um local diferente que a polícia ainda não conseguiu identificar. Lá, embarcam Gegê do Mangue e Paca, que não desconfiavam que havia um plano em andamento para matá-los. Gegê está tão tranquilo que faz uma foto da paisagem e manda para a mulher.
Eles fazem um voo e pousam na mesma área da reserva indígena. Todos descem e os cinco que já estavam esperando efetuam vários disparos contra Gegê do Mangue e Paca. Recolhem os corpos e deixam perto da mata mais densa. Depois todos retornam ao helicóptero e seguem viagem. Ao contrário das primeiras informações, Gegê e Paca não foram torturados. Os corpos foram encontrados no dia seguinte, quinta-feira (16), por um índio da reserva.
A partir daí, foram iniciadas as investigações. “A aeronave nossa levou a equipe até o local. Lá, eles perceberam que havia duas marcas de pouco. E há uma distância entre os esquis da aeronave. Então, por essa distância que foi medida, foi possível identificar a aeronave”, explica André Costa, secretário de Segurança do Ceará.
Com a identificação da aeronave, a polícia chegou ao piloto: Felipe Moraes. De acordo com o advogado que o representa, o piloto foi apenas testemunha do crime, mas, para a polícia, foi mais que isso. “É muito suspeito. Ele participa de toda a ação. Pousa duas vezes no mesmo local, visualiza a execução”, ressalta o secretário.
O dono da aeronave foi o segundo a ser identificado: Waguinho, o Cabelo Duro, o chefe da emboscada. Ele foi assassinado em São Paulo uma semana depois da execução de Gegê do Mangue e Paca.
Prisões preventivasOs outros cinco envolvidos nos crimes são da Baixada Santista: Carlos Santos, Ronaldo Pereira Costa, André Luís da Costa Lopes, Erick Machado Santos e Tiago Lourenço de Sá e Lima.
O dinheiro e os bens de Gegê do Mangue e de Paca foram bloqueados pela Justiça. São mansões em condomínios de luxo, casas de praia, talheres banhados a ouro e carros importados. Uma fortuna avaliada em mais de R$ 12 milhões. Todos os envolvidos tiveram a prisão decretada e estão foragidos.
*** Informações com G1-CE - Vídeo Programa Fantástico da rede Globo.
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