domingo, 11 de março de 2018

Crise econômica e desemprego estimulam procura por arbitragem como renda extra

Recém-formado em Educação Física, Victor Brackx ainda procura emprego em sua área. Enquanto isso, faz dinheiro com “bicos”. Seja num restaurante que entrega saladas em domicílio, seja como recepcionista no estúdio de tatuagem do tio. Mas é com o apito que ele tira a maior parte de sua renda. Árbitro há quatro anos pela Federação do Rio (Ferj), o jovem de 24 anos atua em jogos das divisões de base, como o clássico entre Fluminense e Vasco da última quarta, pelo Estadual sub-20. Pelos 90 minutos, que terminaram com vitória tricolor por 1 a 0, recebeu R$ 600. Foi seu segundo jogo no campeonato. Até maio, outros sete torneios terão iniciado. Um prato cheio para faturar.
— Quando todos os campeonatos estão em andamento, faço uns quatro jogos por mês. Às vezes, até mais — conta. — Dá para juntar um dinheiro. Chega a ser 70% da minha renda em alguns meses.
Como Brackx, outros jovens procuram na arbitragem o desafogo financeiro. Este movimento se intensificou nos últimos anos, com a explosão da crise econômica do país. No Rio, enquanto o desemprego ultrapassou a fronteira do 1 milhão, o número de inscritos na Escola de formação de árbitros da Ferj (Eaferj) aumentou em 28% desde 2014. A identificação com o futebol já não reina sozinha como principal fator de atração para o curso.
— Além de serem apaixonados por futebol, os alunos começam a sentir que é uma forma de ganhar um dinheiro extra. É uma verba que entra no fim de semana, quando você estaria dormindo ou fazendo qualquer outra coisa. Muitos tiram dali até o dinheiro para custear alguns estudos — diz Carlos Elias Pimentel, ex-árbitro Fifa e hoje diretor da Eaferj, que funciona no Maracanã e em 2018 conta com 50 alunos.
Um deles é Victor Caetano, de 23 anos, que encara 2h30 de viagem entre Cabo Frio e Rio três vezes por semana. Recepcionista em um centro médico na cidade da Região dos Lagos, ele já apita no futsal e no beach soccer, que lhe pagam até R$ 150 por partida. Mas faz o curso da Eaferj de olho nas taxas maiores do futebol.
— Sei que o retorno financeiro vai ser maior. Quero subir cada etapa da arbitragem — projeta.
Sem direitos trabalhistasSe a entrada no quadro de arbitragem do Rio é rápida (imediatamente após o fim do curso de 11 meses), a ascensão na carreira não. Ao se formar, é preciso escolher entre ser árbitro ou assistente. A partir daí, são pelo menos cinco anos nos campeonatos de base, em que os pagamentos são menores (de R$ 300 a R$ 600 para os juízes, e a metade para os bandeiras). Para atuar nos torneios de profissionais, donos das melhores remunerações, leva-se de cinco a dez anos. A exceção são os escolhidos para a categoria árbitros do futuro — espécie de turma com talentos promissores, que recebem tratamento diferenciado e, se corresponderem, podem ascender antes dos demais.
Hoje, o Rio conta com 307 árbitros e assistentes. Destes, 36 figuram no quadro nacional e apenas dois no internacional. Quanto maior a categoria, maior é o valor da taxa. Na Série A do Estadual, um juiz CBF recebe R$ 2.500 por partida. Já o Fifa, R$ 3.800. Trata-se, no entanto, do único pagamento. Na teoria, a Lei nº 12.867, de 2013, regulamentou a profissão. Mas, na prática, não alterou o que diz a Lei Pelé. Os membros da categoria recebem como autônomos, sem vínculo empregatício. Não há remuneração nos períodos sem jogos ou em caso de lesão durante a atividade.
— Essa profissionalização foi um engodo, uma grande mentira. O árbitro continua exposto, sem direito a garantia alguma — reclama Jorge Rabello, presidente da Comissão de Arbitragem do Rio.
Os gastos com transporte e alimentação também são de responsabilidade do profissional. Dos R$ 300 que recebeu para bandeirar no jogo entre os sub-20 de Vasco e Fluminense, nas Laranjeiras, Nayra Nunes precisou separar cerca de R$ 120 para a viagem de ida e volta entre Rio das Ostras, onde vive, e o Rio. Mas o que sobra faz diferença na vida da professora de educação física, desempregada desde que engravidou, em 2012. O sustento da casa vem do dinheiro recebido por ela e pelo marido — também árbitro e professor em atividade.
— Tem gente que trabalha por um mês para conseguir o que a gente tira em três jogos como bandeira — pondera.
Por vezes, a arbitragem é solução para quem sofre com problemas no emprego formal. Como o agente da Guarda Municipal de Itaguaí Romário Cerqueira. Quando seu salário atrasou (em 2017 a prefeitura decretou estado de calamidade financeira) foi graças ao dinheiro da arbitragem que ele manteve algumas contas em dia.
— Entre árbitro central e quarto árbitro, já fiz oito jogos num mês. Ajuda bastante — calcula o funcionário público de 26 anos, que tentou seguir a carreira do homônimo famoso, mas foi parar do outro lado. — Por mais que xinguem a mim e minha mãe, vale a pena.
*** Informações com Jornal Extra
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