segunda-feira, 4 de setembro de 2017

"Método Experimental": Apicultor cearense relata cura das dores da chikungunya em tratamento com picadas de abelha

Desde o mês de janeiro que a manicure Tina Oliveira tem sofrido com as dores causadas pela chikungunya, mas foi com as picadas de abelhas que ela conta que se viu livre da doença. A paciente já recorreu a vários medicamentos na tentativa de cessar os sintomas, que não surtiram o efeito esperado. A ação dos remédios só duravam por três dias e, logo, as dores voltavam.
Em meio a essa situação, o apicultor e marido de Tina, João Naldo, iniciou uma pesquisa pela internet para conhecer os benefícios do veneno da abelha. Segundo ele, a substância do inseto é um dos melhores anti-inflamatórios do mundo, e então ele percebeu que a apiterapia, tratamento que utiliza picadas de abelhas, poderia ser uma alternativa.
Até o momento, Tina Oliveira fez somente duas sessões e já sente as melhorias. O veneno é aplicado por Naldo nas regiões em que a manicure sente mais dores.
“A primeira sessão, que aconteceu no dia 14 de agosto, começou com 12 picadas. O inchaço diminuiu muito e não estou mais sentindo tanta dor como sentia antes. Ele aplicou no joelho e no pé”, relatou a manicure. A paciente ainda vai fazer mais duas sessões com um número médio de 12 picadas.
Segundo Tina, nas regiões onde são aplicadas o veneno da abelha, fica vermelho e pouco inchado. Além disso, relata que sofre uma sensação de febre durante as sessões.
“A temperatura baixa um pouco e fico sentindo um calafrio, mas não é uma febre”, detalhou os efeitos da sessão. Antes, as mãos, joelhos e pés eram os locais em que mais sentia dores. Por conta dos sintomas, Tina não podia fazer atividades comuns do dia a dia como vestir uma roupa, por exemplo.
“Na última vez que fui ao médico, estava muito inchada e sentia bastantes dores. O médico me disse que não podia me receitar mais nenhum medicamento porque havia tomado todos e as dores não diminuíram”, disse em entrevista ao Tribuna do Ceará.
No último mês de abril, Tina sofreu uma recaída da doença e contraiu também o zika vírus. “As dores ficaram ainda mais fortes”, informou.
Cuidado com abelhas
Apesar do avanço clínico de Tina, o infectologista e mestre em Doenças Tropicais Rômulo Sabóia não recomenda o tratamento com base em picadas de abelha para quem sofre com as dores da chikungunya.
Segundo ele, a apiterapia não tem comprovação científica para a chikungunya. “Pode existir relatos isolados, mas a medicina não pode se basear nesse tipo de informação. É preciso ter comprovação científica”, ressalta.
O médico informa que os pacientes devem buscar os tratamentos convencionais a base de anti-inflamatórios não hormonais. Caso o anti-inflamatório não tenha o efeito esperado, deve-se recorrer aos corticoides.
“Como a chikungunya é uma doença a médio e a longo prazo, o corticoide com baixas doses é a segunda opção para complementar a ação dos anti-inflamatório”, explica Sabóia.
Em nota ao Tribuna do Ceará, o Ministério da Saúde esclarece que o Sistema Único de Saúde disponibiliza em toda a sua rede o acesso integral ao tratamentos convencionais para os pacientes com chikungunya desde aos serviços na Atenção Básica, Atenção Domiciliar e em unidades especializadas, quando necessário. “Além disso, são oferecidos medicamentos para tratamento dos sintomas da doença”, disse,.
Pesquisa em São PauloO infectologista e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ivo Castelo Branco, informou que há uma pesquisa sendo realizada no interior de São Paulo sobre o veneno de abelha para as dores articulares, mas ainda está em fase de investigação.
Já o professor do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, município do interior de São Paulo, e diretor do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), Benedito Barraviera, desconhece esse tipo de tratamento para as dores da chikungunya.
“É a primeira vez que escuto isso. A gente trabalha com veneno de abelha para tratamento de múltiplas picadas”, esclareceu Barraviera.
O que é apiterapia?Segundo a farmacêutica apiterapeuta Josiane Engelmann, que tem um consultório na cidade de São Paulo, trata-se de um tratamento terapêutico que utiliza o veneno da abelha para combater inflamações e problemas imunológicos. Também pode atuar como neuroestimulante, recomendado para pessoas que sofrem esclerose múltipla.
Entretanto, não são todas as pessoas que podem realizar o tratamento. A profissional explica que a formação é destinada para profissionais da área da saúde, como enfermeiros, médicos e farmacêuticos, devido ao risco do tratamento e para medir as doses do veneno.
“Nós indicamos um profissional ligado à saúde. Um farmacêutico é o mais indicado, por se tratar de uma droga”, explicou ao Tribuna do Ceará.
A necessidade deve-se às possíveis reações que o paciente pode sofrer e também para o manuseio dos ferrões das abelhas. O apiterapeuta aproxima a abelha da região desejada e espera o inseto colocar o ferrão. Como uma espécie de agulha, o ferrão fica na pele do paciente e, por meio de um pinça, o profissional medi a quantidade de dose que será injetada.
“Há as microdoses, doses, macrodose e a overdose. No caso da microdose, o epiterapeuta deve recolher o ferrão em até três segundos. Já nas demais o tempo de permanência é maior. Entretanto, o mais usual é a microdose por questão de segurança”, detalha Engelmann.
Além disso, pessoas com problemas renais e que fazem hemodiálise são impedidas de fazer o tratamento por conta de complicações no momento em que organismo for excretar o veneno. A restrição também se estende para alérgicos ao veneno de abelhas e para pacientes com marcapasso.
Antes de iniciar o tratamento, Josiane explica que o profissional realiza um “teste” para saber se o paciente tem alergia ou não. “Na primeira sessão, acontece o teste de segurança. Você aplica uma microdose e observa o paciente por uns 10 minutos. Se houver sinais de alergia, aplico um corticoide e já levo para um hospital”, informa.
O Tribuna do Ceará não conseguiu localizar no Ceará centros de saúde que ofereçam a apiterapia. A Secretaria Municipal de Fortaleza (SMS), a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) e o Ministério da Saúde informaram que não há esse tratamento disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Fortaleza.
“O Ministério da Saúde esclarece que apiterapia não está incluída no rol de recursos terapêuticos da Política Nacional de Práticas Integrativas (PNPIC), mas os gestores locais têm autonomia para incluir práticas em seu município, desde que hajam evidências científicas de que os tratamentos oferecidos contribuem para a saúde do paciente”, informou a pasta em nota.
*** Informações com Tribuna do Ceará
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