terça-feira, 4 de julho de 2017

De volta ao Senado, Aécio diz: 'Não cometi crime'

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse, no primeiro discurso na tribuna do Senado após reassumir o seu mandato, que não viveu “dias tormentosos”, mas que nunca perdeu a serenidade e o equilíbrio e reafirmou que não cometeu “crime algum” – ele é investigado em dois inquéritos pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e obstrução de Justiça em razão das delações da JBS.
“Nesses dias tormentosos, em nenhum instante, absolutamente em nenhum instante, perdi a serenidade e o equilíbrio próprio daqueles que sabem exatamente a condução de seus atos”, afirmou.  “Não me furtarei de reiterar aqui aquilo que venho afirmando ao longo dessas últimas semanas: não cometi crime algum, não aceitei recursos de origem ilícita, não ofereci ou prometi vantagem indevida a quem quer que fosse, tampouco atuei para a obstrução de justiça como afirmaram”, disse.
Aécio foi flagrado pela Polícia Federal em conversa telefônica com várias pessoas, entre elas o empresário Joesley Batista, dono da JBS, a quem pediu R$ 2 milhões. Ele voltou a dizer que o dinheiro era referente à venda de um apartamento no Rio e acrescentou que esse mesmo imóvel foi oferecido a outros quatro empresários.
“Fui vítima de armação. Procurei sim esse cidadão [Joesley], cuja face delinquente o Brasil não conhecia (…)”, disse, para em seguida voltar a atacar os termos da delação fechada com o Ministério Público Federal pelo empresário, “cujos benefícios assombram e enchem de indignação a maior parte dos brasileiros”.
Ele voltou a dizer que precisou vender o apartamento para pagar a sua defesa nos inquéritos de que é alvo na Operação Lava Jato. “Isso porque não obtive jamais, em tempo algum, vantagem financeira em razão da política”, disse.
Ele negou que o caso fosse de corrupção. “Como alguém [Joesley] pode ter pago propina se não recebeu qualquer benefício ou teve a expectativa de recebê-lo? Mas isso passou a ser irrelevante”, disse. “Não houve envolvimento de dinheiro público e qualquer outra contrapartida, o que ficará cabalmente comprovado perante a Justiça”, afirmou.
Ele também questionou a suspeita de obstrução de justiça investigada em inquérito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Citou três pontos levantados na investigação: sua atuação pela aprovação da lei de abuso de autoridade, seu apoio ao fim da criminalização do caixa dois e as críticas que fez a determinadas áreas do governo – não citou, mas se referia à PF e ao MPF.
“Esse conjunto de manifestações foi interpretado como tentativa de obstrução da justiça. Nada mais distante da realidade”, disse, para ressaltar que sempre defendeu a Lava Jato, “apesar de reparos a serem feitos à atuação de alguns de seus membros”. Em nenhum momento, ele citou Janot, que chegou a pedir a sua prisão. Ele também lembrou do artigo 53 da Constituição, que “assegura imunidade por palavras, opiniões e votos”.
Nostalgia Antes de entrar na defesa dos pontos centrais da acusação, Aécio disse que iria “se deixar embalar por uma certa nostalgia” e listou o que considera alguns pontos altos de sua carreira política, como a participação, ainda jovem, na campanha das Diretas Já, sua atuação na Constituinte de 1988 e sua gestão à frente da Presidência da Câmara.
No fim, voltou a dizer o que já havia dito em vídeo divulgado logo após as suspeitas sobre ele virem à tona: que errou ao se “deixar envolver nessa trama ardilosa”, ao envolver familiares nas acusações (sua irmã, a jornalista Andrea Neves, chegou a ser presa) e por utilizar “mesmo em conversa privada, vocabulário que não lhe é comum.”
E depois falou sobre o futuro. “Não carrego mágoas, não carrego ressentimentos, olho para a frente (…). O país vive, sim, importante e inédito acerto de contas com a sociedade e com o mundo político. Temos de estar preparados para isso, mas separar o que é crime do que é atividade política”, disse.
Por fim, voltou a defender as reformas e o apoio do PSDB ao governo do presidente Michel Temer (PMDB). “Vamos continuar avançando em uma ousada agenda de reformas, razão do apoio do PSDB ao governo. Agenda que, apesar de todas as adversidades, continua sendo liderada pelo presidente”, afirmou.
*** Informações com Revista Veja
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