quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Número de mortes causadas por meningite aumenta 50% no Ceará

Apesar da redução de 18% dos números de casos de meningite no Ceará, houve um aumento de 50% dos óbitos em decorrência desta infecção. Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), referente à semana 40 de 2016, foram confirmados 177 casos de meningites e 24 mortes. Em 2015, no mesmo período, houve 216 casos e 16 óbitos. Dessa forma, a taxa de letalidade, que no ano passado foi de 7,4%, passou para 13,6%.
Para o infectologista Robério Bessa, é preciso prudência ao analisar os dados. Ele acredita que a diminuição dos casos impactou no aumento da letalidade. No entanto, ele reconhece que o retardo no diagnóstico contribui. "Essa é uma realidade não só no Estado, como em todo o Brasil. É importante rapidez no diagnóstico. Tanto que o protocolo permite que, com suspeita clínica e sem exames, o médico pode iniciar o tratamento como meningite bacteriana e, ao confirmar, encaminhar o paciente para hospitais especializados", explica o infectologista.
A supervisora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Sheila Santiago, afirma que os coeficientes de incidência têm se mantido estáveis nos últimos anos no Brasil, com aproximadamente 1,5 a 2,0 casos para cada 100.000 habitantes. A letalidade da doença situa-se em torno de 20% nos últimos anos. Na forma mais grave, a meningococcemia, a letalidade chega a 50%.
No ano de 2015, a faixa etária mais acometida pela meningite meningocócica foi a de 20 a 34 anos, no entanto, o incremento de incidência e letalidade se encontra na faixa etária de 15 a 19 anos. Já em 2016, a maior incidência permanece em menores de 1 ano e a maior letalidade na faixa etária de 20 a 34 anos. "A explicação é que as crianças são protegidas pela vacina, que é tomada até os 2 anos de idade. Por isso, o adolescente e o adulto são mais propícios. No entanto, se o bebê não estiver imunizado, o risco de óbito é maior porque o sistema imunológico dele é mais vulnerável", alerta.
Sheila Santiago reforça que fatores de risco tornam pessoas mais suscetíveis, como infecções respiratórias recentes, aglomeração no domicílio, residir em quartéis ou alojamento estudantis, tabagismo (passivo ou ativo), condições socioeconômicas menos privilegiadas e contato íntimo e prolongado com pessoas que portam a bactéria.
***** Informações com: Diário do Nordeste
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